Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

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AOS 81 ANOS, DONO DA EZTEC AINDA 'CAÇA' COMPRADORES

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Valor Econômico 4/5/2015 (versão online)
 
Por Chiara Quintão / De São Paulo
 
Os incorporadores precisam ser "cães perdigueiros", neste momento, e ir atrás da caça, ou seja, dos compradores de imóveis, na avaliação do fundador da EZTec e presidente do conselho de administração da companhia, Ernesto Zarzur. "Seu" Ernesto, que completou 81 anos no fim de fevereiro, tinha deixado de visitar plantões de vendas nos fins de semana um ano atrás. Retomou a atividade, há 20 dias, para incentivar corretores na venda das unidades. 
"Eu sou corretor, minha origem foi como corretor", afirma o empresário. Nos anos de euforia do mercado imobiliário, os corretores eram "tiradores de pedido", segundo o empresário. "Era a caça correndo atrás", compara. 
A situação atual é bem diferente do período após a abertura de capital das incorporadoras, entre 2007 e 2010, quando o setor teve forte expansão. O mercado espera que 2015 seja o quarto ano consecutivo de encolhimento dos lançamentos das imobiliárias listadas em bolsa. No primeiro trimestre, Cyrela, Direcional, Even, EZTec, Gafisa, Helbor, MRV, Rodobens e Tecnisa lançaram, em conjunto R$ 1,72 bilhão, 66% a menos do que os R$ 5 bilhões do mesmo período de 2014. 
A tomada de decisão pelos consumidores de compra de imóveis está mais lenta, os dados de emprego e renda pioraram, as taxas de juros subiram, e a parcela financiada diminuiu. "A crise afeta, principalmente, não quem foi demitido, mas os que continuam nos empregos e ficam com medo de tomar a decisão de compra", diz "seu" Ernesto. 
Com o grande volume de entregas do ano passado e o previsto para 2015, os estoques de imóveis e distratos do setor continuam elevados. "Mas, se os incorporadores trabalharem direito, consertam isso", acredita o empresário. Ele ressalta que, para ganhar dinheiro, não se pode "ficar sentado". "Quero que meus concorrentes saibam que podem se mexer. Temos de trabalhar para a crise ir embora. A maior crise acontece mentalmente", ensina. 
Dos incorpora dores concorrentes, ele fez questão de elogiar o principal acionista da Cyrela e presidente do conselho de administração da incorporadora, Elie Horn, com quem comprou um terreno na zona Sul paulistana, para incorporação. "Gosto muito da maneira do Elie. É um exemplo como chefe de família, empresário e religioso", conta. 
O fundador da EZTec diz que sempre procurou não colocar em risco o que possui e os recursos das pessoas dos quais "toma conta". "Quero mostrar para o mercado que o meu minoritário não tem de se preocupar", afirma o presidente do conselho de administração da companhia. 
Na quinta-feira, a EZTec aprovou, em assembleia, a distribuição de R$ 162,65 milhões em dividendos. O valor representa R$ 50 milhões acima dos dividendos obrigatórios de R$ 112,65 milhões referentes ao exercício de 2014. Na prática, a fatia referente aos dividendos a serem pagos será de 34,29% do lucro líquido, em vez dos 25% obrigatórios. O valor por ação será de R$ 1,11, ante R$ 0,95 no ano passado.
A EZTec vem pagando dividendos crescentes desde 2007, mas esta é a primeira vez que se compromete também com dividendos extraordinários. O "free float" da EZTec (quantidade de ações da companhia em circulação no mercado) é de 33%. 
Parte da reserva de lucro da companhia - R$ 170 milhões - será destinada a bonificação em ações. Os acionistas receberão dez milhões de ações, o correspondente a 7% do total, pelo valor patrimonial de R$ 17 por papel. A bonificação vai contribuir para elevar a liquidez das ações da companhia. 
"O setor imobiliário bem trabalhado dá muito bons resultados", diz o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Emilio Fugazza, acrescentando que os sócios se beneficiam desse resultado. No ano passado, a EZTec teve retorno sobre patrimônio (ROE) de 22,6%, o maior entre as incorporadoras de capital aberto. 
O lucro líquido da EZTec caiu 19% em 2014, para R$ 474,32 milhões. Foi a primeira queda desde a abertura de capital da incorporadora, em 2007. "O lucro caiu porque lançamos menos e vendemos menos, mas a sustentabilidade da operação continua a mesma", diz Fugazza. Ele ressalta que as margens da companhia se mantiveram. 
Recentemente, a incorporadora voltou a ter caixa líquido, com o repasse da dívida do EZTowers para a São Carlos Empreendimentos e Participações.