Federação Nacional dos Corretores de Imóveis

  • Aumentar tamanho da fonte
  • Tamanho da fonte padrão
  • Diminuir tamanho da fonte

POUPANÇA TEM O PIOR ABRIL EM 20 ANOS

E-mail Imprimir PDF
O ESTADO DE S. PAULO - Economia/B5 - 8 de abril de 2015
 
Saques superaram os depósitos em R$ 5,851 bi, no momento em que juros e dólar deixam outros investimentos mais atraentes 
 
Célia Froufe / BRASÍLIA 
 
Os saques da poupança em abril superaram os depósitos m R$ 5,851 bilhões, o maior volume para o mês em 20 nos, segundo dados divulgados  ontem pelo Banco Central. Apesar de ainda ser uma marca significativa, o resgate da poupança no mês passado perdeu fôlego, ficando bem abaixo de março.
Na ocasião, R$ 11,438 bilhões deixaram a aplicação, a maior quantidade de saques vista em um mês, desde que o BC começou a compilar os dados atuais, em 1995. O pior mês de abril até então destes últimos 20 anos havia sido registrado em 2003, quando os resgates superaram as aplicações em R$ 2,196 bilhões. 
Com o resultado do mês passado, o saldo total da poupança ficou em R$ 648,309 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, no valor de R$ 3,869 bilhões. Os depósitos na caderneta somaram R$ 159,510 bihões em abril, enquanto as retiradas foram de R$ 156,361 bilhões. No acumulado do primeiro quadrimestre do ano, o resultado está negativo em R$ 29,082 bilhões.
A situação de abril só não foi pior porque, no último dia do mês, a quantidade de aplicações foi R$ 3,529 bilhões maior do que o das retiradas. Até o dia 29, o saldo da caderneta estava no vermelho em R$ 9,379 bilhões. É comum ocorrer um aumento dos depósitos no último dia de cada mês por conta de aplicações automáticas e de sobras de salários. 
O que tem ocorrido nos últimos meses, no entanto, é que essa sobra tem sido cada vez menor. Além disso, com o atual ciclo de alta dos juros básicos e do dólar tornando outros investimentos mais atrativos, a caderneta de poupança perde o brilho. Até porque, há três anos, a forma de remuneração da aplicação mudou. 
Pela regra de maio de 2012, sempre que a taxa básica de juros, a Selic, for igual ou menor que 8,5% ao ano, o rendimento passa a ser 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR). Atualmente, a taxa básica está em 13,25% ao ano. Quando o juro sobe a partir de 8,75% ao ano passa a valer a regra antiga de remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR.
Com a economia fraca, a população tem recorrido à caderneta para tentar manter o orçamento equilibrado. Além disso, em meados de fevereiro a aplicação sofreu um golpe nas redes sociais. O rumor era de que o governo poderia confiscar a poupança e outras aplicações financeiras. O Ministério da Fazenda correu para desmentir os boatos e divulgou nota garantindo que as informações não tinham procedência. 
"Tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda", trouxe um trecho do comunicado. 
Estadão poupança quadro queda