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.:: Crédito para quem ganha bem ::.

 


Publicado em 29/07/2010 09:06:36

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Não vão faltar recursos para o crédito habitacional, em especial para as famílias de baixa renda. Na verdade, a previsão é de que a Caixa Econômica Federal disponibilizará R$ 34,1 bilhões para o financiamento de moradias populares. Mas, para enfrentar o déficit habitacional do país, hoje estimado em cerca de seis milhões de moradias, será necessário criar novas linhas de crédito para as faixas de renda superiores a dez salários mínimos. Foi o que disse o vice-presidente da instituição financeira estatal, Jorge Hereda, em coletiva à imprensa na semana passada.
Com a criação de novos fundings, estimou Hereda, será possível enfrentar o desafio de elevar o percentual de participação do crédito imobiliário no produto interno bruto (PIB) do país dos atuais 3% para 10% (nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos tal participação chega a 65%). Este desafio é uma bandeira que remonta há no mínimo três anos (2008).


Foi levantada pelo então superintendente de crédito imobiliário do Santander, Manolo Alvarez, durante participação em seminário sobre o tema promovido pelo Sindicato da Habitação (Secovi/SP). Na ocasião, o executivo e seus pares (os seis maiores bancos do país se fizeram representar) mostraram números e resultados, unânimes na afirmação de que a participação do crédito imobiliário brasileiro no PIB (menos de 2%, à época) era risível.


Naquela reunião, entre os altos executivos do setor financeiro estava Luiz Antonio França, diretor de crédito imobiliário do Itaú e presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). França declarou no dia 12 de julho que até 2013 (para quando prevê para os financiamentos imobiliários saldo de R$ 400 bilhões) “pelo menos R$ 100 bilhões adicionais aos recursos da poupança terão de ser captados pelos bancos para dar conta da expansão das carteiras imobiliárias”.

Caça às novas fontes de crédito

Para o tema, na movimentada semana (12 a 16 de julho) de caça às novas fontes de crédito imobiliário, foi anulada a distância entre a Avenida Brigadeiro Faria Lima (sede da Abecip), no Jardim Paulistano, e a Rua Dr. Bacelar (sede do Secovi/SP), na Vila Mariana, onde palestrou Conrado Engel, presidente do HSBC Brasil. Hoje, relendo as suas considerações, dá a impressão de que Engel tem bola de cristal, porque respondeu com cinco dias de antecedência às colocações do vice-presidente da Caixa.

Para enfrentar o desafio (conforme disse Hereda) de criar novas linhas (ou fontes) de crédito imobiliário e engordar o PIB (e, claro, financiar a nossa casa), Engel disse que entraves devem ser eliminados, tais como “deficiência em investimentos de infraestrutura e da dependência da política monetária no controle da inflação, fatores cuja solução implica em melhor qualificação da gestão pública”, nas palavras do executivo do HSBC.

A “dependência da política monetária” é alusão (entre outras) aos juros das operações de crédito realizadas no âmbito do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) pelos bancos. Esses juros caminham atrelados às oscilações periódicas da taxa originada no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, a Selic. Tal não ocorre com imóveis financiados pelo fundo de garantia do tempo de serviço e pela poupança.

O ministro Guido Mantega também se manifestou durante a semana que desponta como um marco do retorno, ao paraíso, da classe média (renda de dez salários ou mais) sem imóvel próprio. “Temos o desafio de encontrar outras fontes de financiamento porque a poupança tem limites. Teremos de ser criativos”, disse o ministro da Fazenda em Brasília, no último dia 15 (julho).


Certamente, os bancos e o setor imobiliário serão criativos – como quando entregaram ao governo federal o desenho das bases do programa habitacional em voga, e apresentarão sugestões sólidas. Hoje, com as sólidas garantias ao crédito imobiliário, tais como alienação fiduciária, patrimônio de afetação, despejo de inquilino inadimplente em 15 dias (uma tranquilidade para o investidor em imóveis), mais o baixíssimo rendimento das aplicações no exterior (algumas rendem igual ou com pouca diferença dos rendimentos da poupança dos brasileiros), os investidores estrangeiros não terão do que se queixar ao se tornarem nossos (das financiadoras) fundings para a compra da casa própria. Óbvio que, antes disso, marcos regulatórios (leis) devem acontecer.


O intervalo para, quem sabe, desatrelar da Selic os juros do SFI, talvez defenestrar o IGP-M e/ou criar um indicador para valorar imóveis não deve ir muito além de dois/três anos, prazo que demandou entre o empenho do mercado para conseguir marcos garantidores, e o início da retomada do crescimento imobiliário, incluindo o lançamento do programa habitacional.

Fonte: Jornal da Comunidade


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